Sábado, 4 de Julho de 2009
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Kόσμος
Não sabia que te queria,
mas quando sorrias,
via as estrelas se deitando comigo.
Não sabia que te gostava,
mas quando passavas,
partiam contigo minhas loucuras inconfessas
emaranhadas nos teus cabelos.
Não sabia que não te esquecia,
mas quando te recordava,
refazia cada um dos passos rumo a mim mesma.
Não sabia que te desejava,
mas quando falavas,
tua voz lavava o pó do meu caminho.
Não sabia que sofria,
mas quando não te via,
me distraía queimando um a um
todos os meus brinquedos.
Não sabia que te amava,
mas enquanto desesperada te buscava,
me perdia entre os dedos da mão que segura
o tempo que passou por nós.
Escrito por Ticcia às 09:22 de 11.05.2004
mas quando sorrias,
via as estrelas se deitando comigo.
Não sabia que te gostava,
mas quando passavas,
partiam contigo minhas loucuras inconfessas
emaranhadas nos teus cabelos.
Não sabia que não te esquecia,
mas quando te recordava,
refazia cada um dos passos rumo a mim mesma.
Não sabia que te desejava,
mas quando falavas,
tua voz lavava o pó do meu caminho.
Não sabia que sofria,
mas quando não te via,
me distraía queimando um a um
todos os meus brinquedos.
Não sabia que te amava,
mas enquanto desesperada te buscava,
me perdia entre os dedos da mão que segura
o tempo que passou por nós.
Escrito por Ticcia às 09:22 de 11.05.2004
Domingo, 21 de Junho de 2009
Uma noite em que minha vida é feita de vento,
constante e frio como os que habitam despenhadeiros.
Uma noite de breus e sombras
e de velas que queimam em bicos góticos,
uma noite em que o medo entra manso
e se posta aos meus pés como um tapete macio
e a solidão desce cortante como um gole de água ardente.
Em algum lugar há mães embalando seus filhos.
Acaricio a gata que ronrona deitada em meu peito
e duas lágrimas grossas deslizam resignadas.
A cama me espera com seus grandes braços brancos vazios.
Tomo mais um gole de vinho que me beija e me deseja bons sonhos.
Escrito por Ticcia às 01:43 de 26.10.2003
constante e frio como os que habitam despenhadeiros.
Uma noite de breus e sombras
e de velas que queimam em bicos góticos,
uma noite em que o medo entra manso
e se posta aos meus pés como um tapete macio
e a solidão desce cortante como um gole de água ardente.
Em algum lugar há mães embalando seus filhos.
Acaricio a gata que ronrona deitada em meu peito
e duas lágrimas grossas deslizam resignadas.
A cama me espera com seus grandes braços brancos vazios.
Tomo mais um gole de vinho que me beija e me deseja bons sonhos.
Escrito por Ticcia às 01:43 de 26.10.2003
Sábado, 13 de Junho de 2009
Terça-feira, 9 de Junho de 2009
Essências
Tenho-te em tuas umidades,
no calor do teu abraço
e nas gotas de suor
que se espalham pelo teu corpo.
Tenho-te em tua pele lisa,
teus cabelos colados,
teus pêlos grudados, teu visgo,
tuas águas, teus caminhos de charcos,
os pequenos rios no teu pescoço,
o sabor salgado do lóbulo da tua orelha,
tua testa brilhante, tuas narinas abertas,
tuas pupilas dilatadas.
Tenho-te em alta temperatura misturado a mim,
confundido em líquidos e sumos,
sede e fonte, mar em onda, céu de chuva.
Tenho-te emaranhado e deslizante,
em vapor e respingos, em poros abertos,
em cheiro de bicho, em cio de gente.
Tenho-te na língua que colhe o gosto,
nos lábios que escorregam,
na boca que dança lúbrica por frestas molhadas
e se embriaga de essências profundas,
de perfumes e cansaços.
Tenho-me docemente embebida por ti.
Escrito por Ticcia às 10:56 de 24.11.2008
no calor do teu abraço
e nas gotas de suor
que se espalham pelo teu corpo.
Tenho-te em tua pele lisa,
teus cabelos colados,
teus pêlos grudados, teu visgo,
tuas águas, teus caminhos de charcos,
os pequenos rios no teu pescoço,
o sabor salgado do lóbulo da tua orelha,
tua testa brilhante, tuas narinas abertas,
tuas pupilas dilatadas.
Tenho-te em alta temperatura misturado a mim,
confundido em líquidos e sumos,
sede e fonte, mar em onda, céu de chuva.
Tenho-te emaranhado e deslizante,
em vapor e respingos, em poros abertos,
em cheiro de bicho, em cio de gente.
Tenho-te na língua que colhe o gosto,
nos lábios que escorregam,
na boca que dança lúbrica por frestas molhadas
e se embriaga de essências profundas,
de perfumes e cansaços.
Tenho-me docemente embebida por ti.
Escrito por Ticcia às 10:56 de 24.11.2008
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Sábado, 30 de Maio de 2009
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Domingo, 24 de Maio de 2009
Red Roses For A Blue Lady
Não entendo o que há nos teus olhos
que molha minhas mãos
e me faz querer me evadir,
e te abraçar, sumir e te beijar,
me esconder e te pedir para ficar.
Não sei mais onde poderíamos nos achar,
depois de termos tentado tanto nos perder,
onde poderíamos encontrar aqueles dois de nós
que tratamos de admirar e esquecer.
Temo os teus olhos porque
temo as obviedades das minhas contradições,
as traições de mim mesma
e as mentiras costuradas cuidadosamente
de bom senso e ponderação.
Temo os teus olhos porque temo ver
o que queria tanto e temo que tudo o que eu queria
já dos teus olhos tenha desertado.
Temo os teus olhos tanto quanto amo teu olhar
e continuo sem saber se me escondo
ou se te peço para ficar.
De uma forma ou de outra,
é sempre domingo.
Escrito por Ticcia às 12:26 de 28.04.2004
que molha minhas mãos
e me faz querer me evadir,
e te abraçar, sumir e te beijar,
me esconder e te pedir para ficar.
Não sei mais onde poderíamos nos achar,
depois de termos tentado tanto nos perder,
onde poderíamos encontrar aqueles dois de nós
que tratamos de admirar e esquecer.
Temo os teus olhos porque
temo as obviedades das minhas contradições,
as traições de mim mesma
e as mentiras costuradas cuidadosamente
de bom senso e ponderação.
Temo os teus olhos porque temo ver
o que queria tanto e temo que tudo o que eu queria
já dos teus olhos tenha desertado.
Temo os teus olhos tanto quanto amo teu olhar
e continuo sem saber se me escondo
ou se te peço para ficar.
De uma forma ou de outra,
é sempre domingo.
Escrito por Ticcia às 12:26 de 28.04.2004
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Goretidias
Conflito
Tingi de roxo o espelho do meu vazio,
O reflexo de ausências desmedidamente dolorosas
E batalhei num conflito de querer e dever.
Entreguei-me ao vento que me esmagou
Num tempo de barcos naufragando,
Contra as rochas de uma praia deserta,
Perigosamente lógica…
E no espaço das minhas velas de nau à deriva,
Se ousaram instalar relógios de cuco,
Presos por fios de consciência
Perfidamente papagueada…
E das moléculas que de mim brotaram
em cascata um dia Nada sei,
Para além da linha de brilho
Cada vez mais longe…
Goretidias
Tingi de roxo o espelho do meu vazio,
O reflexo de ausências desmedidamente dolorosas
E batalhei num conflito de querer e dever.
Entreguei-me ao vento que me esmagou
Num tempo de barcos naufragando,
Contra as rochas de uma praia deserta,
Perigosamente lógica…
E no espaço das minhas velas de nau à deriva,
Se ousaram instalar relógios de cuco,
Presos por fios de consciência
Perfidamente papagueada…
E das moléculas que de mim brotaram
em cascata um dia Nada sei,
Para além da linha de brilho
Cada vez mais longe…
Goretidias
Domingo, 10 de Maio de 2009
Mãe
Deito entre uma palavra e outra
e deixo que os sons me cubram,
me fecundem, me emprenhem.
Quero o verbo a habitar meu ventre,
a crescer em minhas entranhas
para rebentar novo do de dentro,
cheio de meu sangue, da minha placenta.
Quero me perpetuar em linhas,
me estampar em versos,
me traduzir em signos
porque cada vez que me criptografo,
me decodifico;
cada vez que me verto em metáforas,
mais nítida a minha imagem no espelho.
Sou uma larva que se descobre crisálida
para saber da vida rastejante que a povoa
e das suas promessas de asas.
Escrito por Ticcia às 12:11 de 21.04.2004
e deixo que os sons me cubram,
me fecundem, me emprenhem.
Quero o verbo a habitar meu ventre,
a crescer em minhas entranhas
para rebentar novo do de dentro,
cheio de meu sangue, da minha placenta.
Quero me perpetuar em linhas,
me estampar em versos,
me traduzir em signos
porque cada vez que me criptografo,
me decodifico;
cada vez que me verto em metáforas,
mais nítida a minha imagem no espelho.
Sou uma larva que se descobre crisálida
para saber da vida rastejante que a povoa
e das suas promessas de asas.
Escrito por Ticcia às 12:11 de 21.04.2004
Quinta-feira, 7 de Maio de 2009
Devora-me
Devora-me os olhos,
grandes bocas negras escancaradas
de cílios e ânsia.
Devora-me a pele,
deserto de areia e alíseos em teu percurso.
Devora-me os seios,
o molde e fruto perfeito em tuas mãos.
Devora-me as pernas,
algas serpentes armadilhas do teu barco.
Devora-me a boca,
esconderijo secreto das nossas blasfêmias.
Devora-me as mãos,
pequenos moluscos sugados por tua língua.
Devora-me os cabelos,
rédeas e arreios da tua fúria.
Devora-me o ventre.
Escrito por Ticcia às 03:49 de 03.01.2006
grandes bocas negras escancaradas
de cílios e ânsia.
Devora-me a pele,
deserto de areia e alíseos em teu percurso.
Devora-me os seios,
o molde e fruto perfeito em tuas mãos.
Devora-me as pernas,
algas serpentes armadilhas do teu barco.
Devora-me a boca,
esconderijo secreto das nossas blasfêmias.
Devora-me as mãos,
pequenos moluscos sugados por tua língua.
Devora-me os cabelos,
rédeas e arreios da tua fúria.
Devora-me o ventre.
Escrito por Ticcia às 03:49 de 03.01.2006
Terça-feira, 5 de Maio de 2009
A Santa dieta
Seis mexericas e uma lua cheia
maduras no infinito do espaço
Prenunciam vida na natureza.
À espera da alegoria
De uma nova promessa.
Semana que vem
eu começo
maduras no infinito do espaço
Prenunciam vida na natureza.
À espera da alegoria
De uma nova promessa.
Semana que vem
eu começo
Domingo, 3 de Maio de 2009
Despertar
Foi quando tu chegaste que descobri
meu solo e minha pátria,
que deixei o exílio
e dei um nome à terra de que sou feita.
Porque tu tens uns olhos que
se perderam no mar
e voltaram depois das tempestades
com a dor de quem mais uma vez pôde ser salvo.
Porque teus braços me resgataram,
neles desfiz minhas fronteiras
e me tornei contigo um mesmo horizonte
que junta infinitos de céu e água.
Porque tua voz me conta coisas outras
enquanto falas e tu sabes o que eu ouço
e não temes que eu saiba
sobre todos os teus medos.
Porque tu dizes meu nome de olhos fechados,
afundado em minha carne
e a noite toda lateja dentro de mim
e o ruído do mundo cessa para que
eu possa me lembrar só da tua voz dizendo
o meu nome longe de todas as coisas.
Porque tuas mãos falam a língua da minha pele
e enfeitam meus cabelos de pequenas
conchas e musgos para que eu encontre
os sentidos que eu supunha
naufragados para sempre.
Porque eu já não poderia me entregar
a mais ninguém sem voltar a ser estrangeira
em mim mesma, sem ser de novo uma
estranha atrás de meus próprios olhos,
sem desertar para sempre do meu corpo.
Escrito por Ticcia às 09:36 de 22.10.2008
meu solo e minha pátria,
que deixei o exílio
e dei um nome à terra de que sou feita.
Porque tu tens uns olhos que
se perderam no mar
e voltaram depois das tempestades
com a dor de quem mais uma vez pôde ser salvo.
Porque teus braços me resgataram,
neles desfiz minhas fronteiras
e me tornei contigo um mesmo horizonte
que junta infinitos de céu e água.
Porque tua voz me conta coisas outras
enquanto falas e tu sabes o que eu ouço
e não temes que eu saiba
sobre todos os teus medos.
Porque tu dizes meu nome de olhos fechados,
afundado em minha carne
e a noite toda lateja dentro de mim
e o ruído do mundo cessa para que
eu possa me lembrar só da tua voz dizendo
o meu nome longe de todas as coisas.
Porque tuas mãos falam a língua da minha pele
e enfeitam meus cabelos de pequenas
conchas e musgos para que eu encontre
os sentidos que eu supunha
naufragados para sempre.
Porque eu já não poderia me entregar
a mais ninguém sem voltar a ser estrangeira
em mim mesma, sem ser de novo uma
estranha atrás de meus próprios olhos,
sem desertar para sempre do meu corpo.
Escrito por Ticcia às 09:36 de 22.10.2008
Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Pudesse eu
Pudesse eu, vez por outra,
me cercaria de ti.
Teria-te ao redor da cintura,
sobre os ombros, entre os dedos,
quem sabe à volta,
represa sólida para águas furiosas.
Pudesse eu, vez por outra,
tu serias recipiente,
compartimento, fronteiras e,
a um só tempo,
o referencial das distâncias.
Teria eu teus braços em remanso
na proximidade azul das manhãs,
tuas pernas de limite na vazante vertente
das noites e não temeria o curso caudaloso
dos rios sobre o peito.
Pudesse eu, vez por outra,
te cercaria de mim.
Escrito por Ticcia
às 11:16 de 06.04.2005
me cercaria de ti.
Teria-te ao redor da cintura,
sobre os ombros, entre os dedos,
quem sabe à volta,
represa sólida para águas furiosas.
Pudesse eu, vez por outra,
tu serias recipiente,
compartimento, fronteiras e,
a um só tempo,
o referencial das distâncias.
Teria eu teus braços em remanso
na proximidade azul das manhãs,
tuas pernas de limite na vazante vertente
das noites e não temeria o curso caudaloso
dos rios sobre o peito.
Pudesse eu, vez por outra,
te cercaria de mim.
Escrito por Ticcia
às 11:16 de 06.04.2005
Quarta-feira, 29 de Abril de 2009
Vinho
Vinho quente
Escorregas em mim quente,
Doce.
Adivinho-te pelo odor puro,
Frutado.
E apeteces-me…
Tua cor de sangue desperta-me o desejo
De te ter assim meu, nosso…
Ardente,
Quente!
Não te bebo,
Saboreio-te na lucidez da noite,
Brindo à lua que se despe devagar,
Pálida, invejosa.
Mas és só meu e escorregas em mim…
Quente,
Ardente…
Vera Silva
Escorregas em mim quente,
Doce.
Adivinho-te pelo odor puro,
Frutado.
E apeteces-me…
Tua cor de sangue desperta-me o desejo
De te ter assim meu, nosso…
Ardente,
Quente!
Não te bebo,
Saboreio-te na lucidez da noite,
Brindo à lua que se despe devagar,
Pálida, invejosa.
Mas és só meu e escorregas em mim…
Quente,
Ardente…
Vera Silva
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Robin Hood
Nottinghamshire ou Sherwood?
Documento> refuta lenda de Robin Hood>Documento(aqui)
refuta lenda de Robin Hood
Documento> refuta lenda de Robin Hood>Documento(aqui)
refuta lenda de Robin Hood
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
O Despertar dos Mágicos
É por falta de imaginação
que os letrados,
os artistas vão procurar
o fantástico fora da realidade,
entre as nuvens.
Trazem apenas um subproduto.
O fantástico,
à semelhança das outras matérias preciosas,
deve ser arrancado às entranhas da terra,
do real.
E a verdadeira imaginação
é coisa muito diferente de uma fuga para o irreal.
"Nenhuma faculdade do espírito se afunda
e penetra mais que a imaginação":
é ela a grande mergulhadora.
Louis Pauwel e Jacques Bergier
que os letrados,
os artistas vão procurar
o fantástico fora da realidade,
entre as nuvens.
Trazem apenas um subproduto.
O fantástico,
à semelhança das outras matérias preciosas,
deve ser arrancado às entranhas da terra,
do real.
E a verdadeira imaginação
é coisa muito diferente de uma fuga para o irreal.
"Nenhuma faculdade do espírito se afunda
e penetra mais que a imaginação":
é ela a grande mergulhadora.
Louis Pauwel e Jacques Bergier
Sábado, 25 de Abril de 2009
Gênesis 1:28
Se tu viesses ver-me
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…
Florbela Espanca - Charneca em Flor
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…
Florbela Espanca - Charneca em Flor
Assinar:
Comment Feed (RSS)



















